Trump, o Congresso, e a ousadia de um Chefe de Estado

 

Make America Great Again. Este foi o lema de campanha que fundamentou a vitória de Trump nas últimas eleições presidenciais dos Estados Unidos da América, e que tem norteado os seus discursos desde que assumiu o poder em janeiro deste ano. No entanto, Trump está tendo claras dificuldades em transportar o seu “modelo de sucesso” como empreendedor para a Casa Branca, faltando-lhe habilidades inerentes a performance de um alto executivo:  dificuldades de montar sua equipe com êxito e muitas dificuldades de negociar com o congresso, composto por sua base republicana.

Os primeiros 6 meses de governo demonstram ao mundo a dificuldade de um Chefe de Estado em querer governar sozinho. As diferenças entre ser o dono do negócio e o político, homem público em sua literalidade, se destacaram. A relação com o Congresso está estremecida desde antes da sua eleição e o Presidente norte-americano tem tido dificuldades em concretizar suas ambições que dependem da aprovação dos congressistas. A título de exemplo, recentemente Trump viu-se forçado a sancionar uma lei que prejudica o até então aliado russo, Vladmir Putin.

Aliás, em que pese uma aproximação entre duas superpotências como EUA e Rússia parecer positiva do ponto de vista global, o estreito relacionamento entre os dois presidentes vem sendo alvo de ataques constantes pelos congressistas, e chegou a incluir o próprio FBI (cujo Diretor foi demitido por Trump há poucas semanas).

Com efeito, entre reuniões a sós e informações desconexas, a proximidade entre Trump e Putin não tem sido vista com bons olhos e, inclusive, tem fortalecido o discurso xenófobo e contrário à aproximação entre os dois países. Desde a polêmica acusação de que o Kremlin forneceu informações sobre os Democratas, favorecendo a campanha de Trump, o ritmo de renúncias, demissões e novas acusações envolvendo membros da equipe do novo presidente não para de aumentar e a situação do seu governo se deteriora diariamente.

Entre novos inquéritos sobre a interferência do governo russo nas eleições de 2016 e acusações de transações financeiras entre a família Trump e empresas e bancos russos, a tendência é que o Congresso impeça o presidente norte-americano de se relacionar livremente durante seu mandato.  Consequentemente, a esperança de uma melhor relação com congressistas tem se esvaído e a tendência do aumento da interferência em seus poderes presidenciais para moldar a política externa, está em ampla em ascensão.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s