Adam Smith e o Empoderamento Feminino

 

Quando escreveu Riqueza das Nações, Adam Smith lançou a teoria do crescimento econômico, que, resumidamente, diz que a riqueza ou o bem-estar das nações é derivado: do excedente de valor produzido sobre o custo da produção; e pela relação entre o número de trabalhadores empregados sobre a população total.

Em sua obra, Adam Smith fala pouco sobre as mulheres de sua sociedade e quando o faz, dá a entender que quando mulheres tem maior riqueza ou instrução, isso atrapalha o crescimento da sociedade – devido ao menor número de partos –, as corrompe e diminui suas habilidades de cuidar das famílias.

Constando o óbvio com perplexidade

A avaliação falha do economista tem um porquê histórico que nos vemos desafiadas a corrigir até hoje, pois ainda há sociedades inteiras que não se convenceram dos benefícios da participação ativa das mulheres na sociedade:

· Em 2013, a taxa de homens empregados no mundo era de 72,2% contra apenas 47,1% das mulheres;

· O salário das mulheres ainda é de 60 a 75% do salário dos homens;

· A paridade educacional entre os gêneros ainda é um desafio na maior parte dos países em desenvolvimento (80%);

· Análises mostram que meninas somam 53% das crianças fora da escola, ou seja, 1 em cada 10. Quando as meninas deixam o sistema educacional, a probabilidade é de que 47% nunca retornem à escola (comparado a 32% dos meninos) e

· A probabilidade de uma mulher se engajar em atividades informais e não remuneradas é maior do que a de um homem. Na América Latina, esse percentual chega a 54%;

· Mulheres têm cargas desproporcionais de trabalho doméstico e não remunerado. Mulheres gastam 2 a 10 vezes mais tempo cuidando de atividades domésticas e filhos que homens e investem menos tempo em lazer;

· Um estudo realizado em 143 países demonstrou que 90% deles ainda têm leis que restringem as oportunidades econômicas das mulheres.

Ganhos potenciais

· Calcula-se que seriam gerados USD17 trilhões globalmente se a participação das mulheres no mercado de trabalho e sua remuneração fosse equivalente à dos homens;

· Quanto menor a diferença entre o percentual de homens empregados em relação ao percentual de mulheres empregadas numa sociedade, o crescimento econômico é impulsionado;

· Nos últimos 50 anos, cerca de 50% do crescimento econômico dos países-membros da OCDE deveu-se ao maior nível de instrução da população; principalmente pelo fato de meninas e mulheres terem tido acesso à educação e atingido maior igualdade em relação ao número de anos na escola;

· Um estudo feito entre 1970 e 2009 mostrou que para cada ano adicional na escola, de mulheres em idade reprodutiva, a mortalidade infantil cai quase 10%;

· Dados econômico-sociais de alguns países, indicam que o aumento a participação feminina na renda doméstica – seja através de remuneração própria ou transferência de renda – modifica os hábitos de consumo de forma a beneficiar a família, principalmente as crianças;

· Estudos mostram que países cujos parlamentos tem mais mulheres, são mais abertos à aprovação de tratados ambientais.

Iniciativas

A convenção da ONU de 1979 eliminou todas as formas de discriminação contra as mulheres. Em 2010, na assembleia geral foi criada a ONU Mulheres, uma entidade da ONU para a igualdade de gênero e empoderamento das mulheres, que estabeleceu padrões para de suas metas em conjunto com governos e sociedade civil para desenvolver legislações, políticas públicas, programas e serviços para assegurar sua implementação:

· Liderança e participação política das mulheres;

· Empoderamento econômico;

· Fim da violência contra mulheres e meninas;

· Paz e segurança e emergências humanitárias;

· Governança e planejamento;

· Normas globais e regionais.

Se tomarmos as Metas do Milênio e as Metas de Desenvolvimento Sustentável há metas claramente voltadas para a igualdade de gênero, mas em todas a participação feminina é fundamental.

Além dos grandes organismos internacionais, percebemos, no dia-a-dia, o crescimento desse tipo de iniciativa. Não há como citar alguns sem deixar de fora outros tantos não menos importantes, mas vale ressaltar um ponto em comum entre todos: não se trata de um movimento da moda, mas sim de uma tendência que pode ter demorado para conseguir voz, mas que com certeza não perderá o timbre.

Perdoe-me Adam Smith, mas empoderamento é fundamental!

Se eu pudesse me dirigir a Adam Smith nesse momento eu teria a ousadia de tentar corrigi-lo. Não sei se teria sucesso nessa empreitada, mas o importante é que isso não tem mais importância. Estamos num caminho sem volta, chegamos ao estágio da consciência completa, em que ainda podemos não ter todas as ferramentas e insumos, mas já sabemos o que queremos como produto final.


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